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Pumas
são capazes de viver em ambientes modificados se houver suficiente
alimento, cobertura vegetal, e água disponível.
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O
projeto puma tem realizado estudos em reflorestamentos e em áreas
de pecuária, dois grandes modelos de desenvolvimento rural utilizados
no Brasil. A razão disto é buscar informações
sobre os limites de exploração comercial e ocupação
humana que podem ser exercidos antes das populações de animais
silvestres começarem a sofrer processos de extinção
local. Isto porque muitas espécies, inclusive ameaçadas, vivem
apenas fora de áreas protegidas (Unidades de Conservação
- UC) (Paglia et al., 2004), e muitas outras, como o puma, tem a
maior parte de sua população também fora de UCs.
Utiliza-se métodos de densidade relativa para verificar a qualidade
do ambiente para pumas e espécies-presa, com recursos de fotocaptura,
discriminação individual por pegadas, e taxa de rastros
por quilômetro.
Em um dos reflorestamentos, no estado do Paraná, com cobertura
florestal de mata nativa em 41% em 100.000 ha, a densidade de adultos
e sub-adultos foi estimada entre a 0.06 a 0.09 pumas por km quadrado.
Estimativas de densidade de pumas onde coexiste com a onça-pintada
(Panthera onca) varia de 0.015 (Schaller 1983) a 0.044 por km quadrado
(Crawshaw & Quigley, in Nowell & Jackson 1996).
Uma
fêmea de puma foi monitorada por rádio-colar durante vários
meses. O tamanho de sua área de vida foi calculada em 75.5 km quadrados.
O centro de atividade, estimado com o método de Kernel a 90%, foi
estimado em 18.9 km quadrados. Ela movia-se mais frequentemente em ravinas
de floresta nativa e junto a riachos, apesar de aproximar-se bastante
de atividade humana. O tamanho médio da mancha florestal ocupada
nas ravinas foi calculado em 1.4 km quadrados (SD=1.1, n=20), que ela
ocupava durante 1 a 6 dias (x=2.8, SD-1.4, N=18) antes de mover-se para
outra mancha.
Em
uma outra área de estudo, também em reflorestamentos do
Paraná, verificou-se que a taxa de pegadas de puma por km estavam
relacionados com a cobertura florestal nativa e com maior quantidade de
vestígios de tatus e capivaras, indicando relação
entre abundância de animais-presa e a presença do puma. Esta
metodologia também serve para indicar locais ideais para manutenção
de áreas protegidas e corredores ecológicos dentro da propriedade.
Em
áreas de pecuária do planalto catarinense, o gado tem causado
o raleamento e muitas vezes a supressão do sub-bosque das florestas
de Araucária. Os estudos do projeto puma mostram que a presença
de tatu está relacionada com a presença do sub-bosque. O
sub-bosque evita que o tatu e outras presas sejam localizadas facilmente,
evitando que sejam localmente extintas pelo excesso de predação.
Anderson,
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Franklin
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Paglia,
A.P., A. Paese, L. Bedê, M. Fonseca, L.P. Pinto e R.B. Machado.
2004. Lacunas de conservação e áreas insubstituíveis
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In: Anais do IV Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação.
Volume II - Seminários. Fundação o Boticário
de Proteção `a Natureza e Rede Nacional Pró Unidades
de Conservação. Curitiba, PR.
Schaller
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